8. Notas de pesquisa sobre o catolicismo popular no sertão baiano do século XIX.

Ministrante: Ana Maria Ferreira de Oliveira, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O século XIX se configura como período crucial para o catolicismo brasileiro, dadas às transformações pelas quais passa a igreja, no âmbito do regime imperial e depois com a chegada da República. O processo de romanização da igreja católica, no Brasil, tem seus reflexos nas pequenas paróquias, onde as tensões na relação entre vigários e sociedade se intensificam. Discutir catolicismo popular não é uma tarefa fácil. As mudanças sofridas pela Igreja católica no início do século perpassam pelo processo de modernização da sociedade e a necessidade de construção e consolidação de espaço e território religioso, dentro desse contexto; de modo que os chamados romanizadores buscaram com ações firmes, a concretização dessa “rede de lugares” composta por templos, colégios, seminários e santuários que viabilizassem ações estratégicas de disseminação do discurso católico e a teia de influências religiosas na construção sociocultural da sociedade. O estudo do catolicismo popular vem crescendo e possibilitando novos caminhos que favorecem a compreensão e a explicação da cultura sertaneja do Nordeste brasileiro. Uma devoção aos santos, às romarias, as novenas, as procissões, as bênçãos, a festa de padroeiro, as promessas. Desse modo, o modelo de catolicismo vivido e professado pelo padre Ibiapina, padre Cícero, o beato Antônio Conselheiro e frei Damião é completamente “outro”, completamente “diferente”, mas não devemos instruir que seja uma manifestação depreciativa e marginal, inferior ou mesmo supersticiosa. A influência da religião no seio de uma sociedade, como elemento determinante no desenvolvimento social, marca a importância do seu estudo. A historiografia contemporânea desmistifica temas antes colocados à margem da pesquisa historiográfica; num processo de ressignificação da produção histórica. No âmbito da História Cultural, surgem novas propostas de estudo; novos olhares em que se inserem estudos correlacionados ao regional e o local.

 

Duração de 3h.          

05/09 – 13h-15h30min.

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