História e Marxismo

Coordenadores:

Dr. Osvaldo Maciel (UFAL)                            

Dr. Aruã Lima (UFAL)

 

Organizado pelo Grupo de Trabalho História e Marxismo da Anpuh Nacional o Simpósio Temático propõe um espaço de intercâmbio crítico entre pesquisadores cujas

investigações incorporam e desenvolvem questões teórico-metodológicas formuladas a partir da perspectiva marxista ou em diálogo com ela. Reunimos experiências de pesquisa com problemáticas marxistas, desdobradas num universo temático amplo. Como em edições anteriores, propomos um ambiente de diálogo envolvendo estudiosos de fenômenos diversos: as diferentes modalidades de dominação (coercitivas e consensuais) e resistência, experiências organizativas e práticas culturais de grupos sociais dominantes e subalternos, formas de exploração do trabalho e de apropriação da riqueza, produção intelectual e teórica. São bem vindos trabalhos nas mais diversas áreas disciplinares, particularmente das chamadas Ciências Sociais ou Ciências Humanas, mas envolvendo toda e qualquer área disciplinar que esteja em diálogo com a teoria social marxista.

Sessão I

 

O projeto de transição capitalista do Estado Brasileiro no século XIX e a trajetória e fortuna do Coronel Joaquim Pedreira de Cerqueira na Bahia oitocentista.

Allan da Silva de Freitas - Mestrando em História - Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

 

O presente trabalho objetiva discutir as implicações do projeto de inserção do Brasil ao crescente capitalismo europeu, sobretudo a partir da década de 1840, portanto, uma tentativa de transição para o capitalismo, mediante o represamento de capitais – A tarifa Alves Branco (1844), a criação de agências de crédito, a mudança da estrutura fundiária – lei de terras (1850), a transição para o trabalho assalariado – Lei Eusébio de Queirós (1850) e a legalização e das Sociedades Anônimas – o Código Comercial (1850), sobre os investimentos de capitais das elites econômicas da Bahia do período. Problematizar as reverberações do referido projeto Estatal sobre as camadas economicamente dominantes da Bahia, possibilita- nos discutir em que medida tais ações foram provenientes de um processo artificial do Estado de imputação de um pensamento capitalista no país ou, o reflexo de uma sociedade em transição que ansiava pela modernização capitalista de sua economia. Mais ainda, questionar, portanto, como tal projeto influiu nos investimentos das elites econômicas baianas. Para dissertarmos sobre tais objetivos, utilizamos metodologicamente de uma abordagem de micro-história - sem a pretensão de generalizar ou esgotar a discussão -, acerca da trajetória e da fortuna do afamado ''capitalista'' Joaquim Pedreira de Cerqueira, nascido em São Gonçalo dos Campos, interior da Bahia, em 1799 e falecido em 1873 em Feira de Santana que, segundo constam nas documentações de época, e além, foi uma das figurais que acumularam uma das maiores somas de capitais da Bahia no século XIX, 1.281:287$045 réis, com o adendo de não ser proveniente da capital, Salvador, mas um habitante da emergente Vila da Feira de Santana, onde Joaquim Pedreira de Cerqueira foi Coronel da Guarda Nacional, Oficial da Ordem da Rosa, membro-fundador da Santa Casa de Misericórdia da dita Vila da Feira de Santana em 1859 e, membro-fundador do Imperial Instituto Agrícola da Bahia no mesmo ano, tendo feito parte do conselho de finanças destas duas instituições. Exerceu também mandatos políticos como Juiz de Paz e Vereador na Vila da Feira de Santana em 1849, sendo que em 1840 já figurava como membro da Câmara Municipal da mesma Vila e em 1868, aparece nos registros como membro efetivo da referida Câmara. Tal sujeito foi ainda o responsável por hospedar as Augustas Majestades Imperiais Dom Pedro II e sua esposa Teresa Cristina 1859 por ocasião da visita das ditas realezas às Províncias do Norte no referido ano, além de figurar como um dos duzentos maiores acionistas do Banco do Brasil entre a década de 1850 e 1873, altura de sua morte. Tendo em vista tais variáveis na vida de tal indivíduo, entendemo-lo enquanto um sujeito privilegiado para um estudo das elites econômico-sociais da referida Província. Para lançarmos mão de tal pesquisa, o inventário e testamento do Coronel Pedreira, bem como jornais, registros eclesiásticos de óbito e nascimento, relatos de memorialistas e documentos impressos do período são utilizados.

 

“A epidemia mental contemporânea": anarquismo e ideologias libertárias no jornal O Semeador.

Pedro Lucas Epifânio de Lima - Graduando em História Bacharelado - Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O objetivo da pesquisa é analisar como as ideologias libertárias presentes nos movimentos operários alagoanos, em especial o anarquismo, foram discutidas pelo jornal O Semeador durante a Primeira República. A compreensão do debate político e filosófico trazidos pelo jornal católico auxiliará na avaliação do alcance e desdobramentos das transformações históricas trazidas pela "modernidade".

 

Teoria na práxis da pesquisa histórica: investigando processos de urbanização em Arapiraca-AL.

Rodolfo José Oliveira Lima - Mestrando em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Já expunha Peter Burke em sua obra “História e teoria social” que sem combinar história com teoria é provável que não se compreenda nem o passado nem o presente, apesar de boa parte de seus companheiros do movimento dos Annales (3ª geração) fazerem pouco caso da teoria na história. Deste modo, a partir de um referencial marxista, este trabalho pretende expor a forma como o debate teórico vem orientando metodologicamente a pesquisa realizada sobre a história urbana recente de Arapiraca-AL, buscando compreender a dinâmica da luta de classes que move e dá forma a cidade que temos hoje.

 

Socialismo na Venezuela do Tempo Presente: A Era Chávez e as transformações na cultura política venezuelana a partir do projeto do Socialismo do século XXI.

Rafael Cabral Godoy - Graduando em Licenciatura em História - Universidade de Pernambuco.

 

Este trabalho tem como objetivo, partindo do plano teórico da História do Tempo Presente e da Nova História Política, analisar os projetos de base socialista de Hugo Chávez na Venezuela do século XXI e como esses projetos influenciaram as mudanças na cultura política venezuelana. Nossa análise está centrada no modelo democrático proposto pelo chavismo em seu período de governo, como a “Democracia Participativa e Protagônica”, presente na Constituição de 1999, e o “Socialismo do Século XXI”, que se apresenta no Plano Nacional Simón Bolívar - Primeiro Plano Socialista da Nação (2007-2013).

 

Sessão II

 

Grandesa e ilusão na análise do percurso intelectual de Marx a partir da biografia de Gareth Stedman Jones.

Osvaldo Batista Acioly Maciel – Doutor – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A comunicação apresenta notas introdutórias à análise de A Ideologia Alemã, manuscrito de Marx e Engels que, abandonado pelos autores logo após sua escrita, só foi editado no século XX num projeto de divulgação internacional das obras dos dois clássicos do marxismo. Exploramos o contexto histórico de produção intelectual de Karl Marx e Friedrich Engels entre 1843 e 1848, localizando alguns aspectos das formulações teóricas dos dois autores existentes no período de escrita do manuscrito. Além da literatura clássica de análise sobre o desenvolvimento dos conceitos marxistas daquela fase, dialogamos criticamente com um novo aporte de biografias produzidas sobre Marx, em particular com a obra de Gareth Stedman Jones (Karl Marx: grandeza e ilusão), lançada recentemente. Realizamos uma crítica da hipótese de leitura que ele levanta, associando as reflexões de Marx ao espírito idealista alemão, ao mesmo tempo em que demonstramos a forma articulada com que os manuscritos em seu conjunto ou individualmente possibilitam uma leitura histórica e materialista da história, exatamente o contrário do que é advogado pelo historiador e biógrafo britânico.

 

Herbert Marcuse: Contribuições da Teoria Crítica da escola de Frankfurt para a compreensão dialética do caráter repressivo das sociedades burguesas.

Felipe Garzón Serna - Mestrando em História - Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A presente proposta visa expor a validade histórica do paradigma crítico-dialético à luz do pensamento de Herbert Marcuse para os estudos de gênero, onde o marxismo e a psicanálise têm um papel central no reconhecimento da relação dialética entre forças de libertação e forças da repressão, Eros e Thanatos ou os instintos de vida e destruição que representam a grande contradição das sociedades capitalistas: sua necessidade de expansão, agressão e a brutalidade da luta competitiva pela existência que tornam a liberdade um privilégio muito caro.

O papel da Historiografia no debate acerca do desenvolvimento econômico do Brasil: uma análise do discurso da contribuição de Caio Prado Júnior.

Matheus Carlos Oliveira de Lima - Mestrando em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O presente trabalho tem como objeto de pesquisa o lugar da História na constituição das estratégias para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Buscando se localizar no campo da Historiografia da História Econômica do Brasil, tem-se como base de investigação o pensamento de Caio Prado Júnior – CPJ –, contido em livros, artigos de revistas e periódicos. O trabalho em tela, assim, foi desenvolvido a partir da premissa de que há uma história social dos textos, essa compreensão permite entender que essa tipologia de fonte é construída a partir de uma determinação social e histórica. Procurou-se, dessa forma, seguir os rastros do pensamento econômico em questão a partir dos pressupostos metodológicos da Análise do Discurso Francesa – AD francesa. As categorias analíticas serão: condições de produção do discurso e formações ideológicas.  Essa seleção foi feita a partir do pressuposto de que as fontes investigadas são a expressão de um discurso, estão numa formação social específica e foram permeadas por uma tessitura de fios ideológicos.  O discurso, nesse caso, seria um processo-síntese da relação língua-história-ideologia. E por ter essa natureza acabaria sendo passível de uso no campo da História, tanto como objeto de estudo, quanto como ferramenta de pesquisa histórica, tendo em vista que por meio desta se pode analisar as condições que permeiam os discursos empreitados num dado momento histórico. Dessa maneira, se possibilita a localização das ideias, não como flutuações extraterrenas, mas como desdobramentos das relações objetivas em que estão inseridas. Os debates teórico-políticos são frutos do momento histórico, são proposições para a resolução de uma dada demanda da sociedade, significam a disputa pela explicação de um dado acontecimento e a justificação pela direção a ser percorrida. Diante deste entendimento, pretende-se debater a partir da do pensamento caiopradiano a importância da historiografia no discurso entre as décadas de 1940 e 1970 acerca dos caminhos para o desenvolvimento do Brasil, procurando entender a importância da História nessa discussão que muitas vezes é indicada exclusivamente como assunto do campo teórico da Economia. Assim, o objetivo do presente trabalho é investigar a partir do discurso caiopradiano as suas contribuições para a Teoria do Desenvolvimento do Brasil, em especial no tocante a importância da historiografia nessa questão.

 

A questão Intelectual em Gramsci: Uma elucidação sobre as categorias preexistentes, e a caracterização do nível intelectual de Helionia Ceres.

Joedsa Wanessa Oliveira - Mestranda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O campo de estudos sobre os Intelectuais vem dando significação para as questões sociais no campo historiográfico. A História intelectual se atem em suas discussões sobre as atividades dos Intelectuais na História, ou seja, estudos sobre a intervenção que os intelectuais desempenham nas sociedades de suas épocas e, em consequência suas contribuições no processo desenvolvimentista das mesmas, e que através também do diálogo com outros campos dos estudos Históricos, como a História Social e Cultural, cabendo aqui a cada uma suas discussões teóricas e metodológicas  de análises,  de acordo com suas respectivas escolas historiográficas, sociológicas, e suas particularidades, se faz  necessário, por tanto, fazer apontamentos metodológicos que sejam eficazes a construção de uma historiografia intelectual que acompanhe o desenvolvimento histórico, onde as conclusões que serão confeccionadas aqui através das concepções Gramscianas sobre os Intelectuais e sua atuação,  pretendem buscar caminhos um pouco mais distintos dos demais, por ter a especificidade de trilhá-los em um viés materialista estrutural. Essa construção de uma identidade intelectual através desse entendimento estrutural do termo Intelectual, tem também a finalidade de mostrar as contribuições de Heliônia Ceres para a sociedade feminina de Alagoas, desde que me parece que nos dias atuais dentro das trincheiras do capitalismo, o proposito é, cada dia mais resumir e simplificar as formas de “conhecimento” e de produção do conhecimento. A partir dessas considerações iniciais, nossa comunicação pretende explorar o debate acerca da categoria “intelectuais” na obra de Gramsci, e analisar sua validade para entendermos dimensões da trajetória publica da escritora alagoana Heliônia Ceres.

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