História, Memória e Historiografia do Brasil Republicano

Coordenadores:

Dra. Michelle Reis de Macêdo (UFAL)

Dr. Anderson Almeida (UFAL)

O ano de 2019 marca a efeméride dos 130 anos da implantação da República no Brasil. Cada vez mais, inúmeras publicações vêm questionando os significados e apropriações teóricas e práticas do que é “ser republicano” em nosso País. O Simpósio Temático tem como objetivo incentivar o debate entre propostas de trabalho que analisem aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais do período republicano brasileiro, desde a Proclamação da República em 1889, passando pela República oligárquica, a Era Vargas, a República liberal-democrática, a ditadura militar, a Nova República até os dias atuais. Com esse amplo recorte, pretende-se problematizar abordagens que busquem a compreensão do processo histórico através do diálogo entre sujeitos e contextos, indivíduos e sociedade.

Sessão I

 

Semana Calabar: memória, identidade e comemoração no Bicentenário de Emancipação Política de Alagoas em Porto Calvo (2017).

Marília Teles Cavalcante – Mestre - Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

Este trabalho se propõe a analisar como a figura de Calabar é rememorada na comemoração do bicentenário em Porto Calvo, através das publicações oficiais do governo (sites, notícias e diário oficial) e da veiculação das atividades desenvolvidas ali. Buscando discutir os conceitos de memória (FINLEY, 1989; JELIN, 2015; SÁ, 2006), identidade (ANDERSON, 2008; HOBSBAWM, 2011; ORTIZ, 1985) e comemoração (HARTOG, 2015; NORA, 1993; 1998). Focando em como a figura de Calabar é apresentada, apontando inconsistências no discurso e interesses em torno dessa memória.

 

Entre a História e a Memória: a presença negra e indígena no Museu Xucurus em Palmeira dos Índios – AL.

Aline de Freitas Lemos Paranhos - Graduanda - História - Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL).

Francisca Maria Neta.

 

Pretende-se com esse trabalho discorrer sobre o Museu Xucurus de História, Artes e Costumes como um lugar de memória a partir das disputas identitárias e na construção dos espaços pertencentes ao branco, ao negro e ao índio nessa instituição que fica localizado no centro da cidade de Palmeira dos Índios, município localizado no interior do estado de Alagoas. Instaurado no edifício da antiga Igreja do Rosário dos Pretos, construída por negros fugidos, o acervo constituiu-se a partir de doações feitas por diversos moradores da região; o referido museu foi fundado em 1971 por personagens da elite palmeirense e membros da Igreja Católica, que vislumbravam a criação de um espaço capaz de conservar a memória da cidade. Desse modo, este trabalho tem como objetivo analisar a forma como essa instituição elabora a distribuição desse espaço, voltando suas lentes à história elitista e silenciando o protagonismo desses povos tradicionais na atualidade através de sua exposição. A pesquisa se materializa em dois momentos; a primeira etapa é construída a partir do estudo bibliográfico baseado nos pressupostos de CHAVES (2014), HALL (2015/2016), MARIA NETA (2017), PEIXOTO (2013), POLLAK (1989/1992), POULOT (2009), SAMAIN (2012), entre outros; já no segundo, realizou-se uma pesquisa de campo, na qual contou com visitas periódicas ao museu e seu entorno para coleta de fotografias, conversas informais e entrevistas. Além disso, visitou-se a aldeia indígena Mata da Cafurna e a comunidade quilombola da Tabacaria no intuito de estudarmos a divergência entre as representações contidas nesses diferentes espaços memorialísticos, buscando preencher algumas lacunas historiográficas sobre o tema a partir dos usos e/ou desusos da capacidade memorialística e patrimonial.

Discursos em disputa: a identidade do conflito territorial em Palmeira dos Índios – AL.

Luan Moraes dos Santos - Mestre em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Este trabalho é uma discussão sobre as imagens e as variações do discurso político dentro do conflito territorial por terras indígenas do município de Palmeira dos Índios – AL. O estudo do discurso da elite político-latifundiária nesse processo histórico resulta da mistura cultural e da reelaboração de elementos de seu discurso. Os conceitos de João P. de Oliveira (1998) e Benedict Anderson (2008) servem como premissas aos elementos diacríticos que ajudam a entender como as elites se autodefiniram em contraste com os indígenas.

 

Povos indígenas e a participação política na Assembleia Nacional Constituinte – ANC (1987-1988): narrativas de um Cacique Xukuru-Kariri.

Cássio Júnio Ferreira da Silva - Mestrando em Antropologia Social – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Tenho como objetivo neste artigo, apresentar, a partir de relatos orais de uma liderança Xukuru-Kariri (Palmeira dos Índios – AL), aspectos da mobilização política e das estratégias utilizadas pelos povos indígenas durante o processo da Assembleia Nacional Constituinte – ANC, articulação que foi fundamental para a garantia da promulgação de dispositivos constitucionais que pavimentaram legalmente os direitos atuais das populações indígenas.    

 

A trajetória do índio Xavante Mário Juruna no Movimento Indígena Brasileiro (década de 1970).

Michelle Reis de Macedo – Doutora - Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Membro de uma aldeia indígena no interior do estado do Mato Grosso, Mário Juruna ganhou popularidade quando começou a fazer viagens a Brasília para reivindicar às autoridades nacionais melhorias para sua comunidade. Seu comportamento ousado logo chamaria a atenção da imprensa nacional, que passou a divulgar seus passos cotidianamente. Assim como outras lideranças, ao longo de suas viagens, Juruna tornou-se protagonista do processo de formação e consolidação do Movimento Indígena Brasileiro na década de 1970. Portanto, a proposta é refletir sobre como suas escolhas políticas interagiram com o fortalecimento de uma cultura política democrática em oposição à ditadura militar e contribuíram para o avanço dos direitos indígenas, reconhecidos posteriormente na Constituição de 1988.

 

“Nosso estudo era trabalhar”: condição precária da vida do trabalhador rural no mundo do trabalho algodoeiro.

Érica de Oliveira Santos - Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Este artigo, procura discutir o mundo do trabalho algodoeiro em Alagoas, durante o século XX. Com ênfase em torno dxs trabalhadorxs rurais, sujeitos que foram historicamente silenciadxs pela historiografia, o seu cotidiano e experiências sociais com a terra. Assim, desnaturalizar a precarização e vulnerabilidade de seu cotidiano; entendendo que a pobreza não são circunstancias naturais da vida, mas, um modo de fazer política e de gerir o Estado que produz/produziu esse tipo de vivências. Discutiremos com Benjamim (1996) sobre experiência, e testemunhos orais a partir de Verena Alberti (2005).

Faces do latifúndio: O acesso à terra na Zona da Mata Alagoana na segunda metade do século XX.

Fabio Barbosa da Silva - Mestrando em História Social pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A questão do acesso à terra no Brasil é tema recorrente em pesquisas na área de História que cobrem desde o período colonial até os nossos dias. As mudanças no regime político, e as medidas que visavam o maior controle do Estado sobre a terra convergem, com frequência, para o latifúndio. Com base em estudo em andamento sobre os estímulos do Estado para o aumento da produção canavieira na segunda metade do século XX, esta comunicação busca apresentar possíveis mudanças pelas quais o acesso à terra e o papel do latifúndio, foram submetidos no Sul da Zona da Mata alagoana entre 1950 a 1980.

 

A Circularidade de Crianças entre a Casa, a Usina e o Trabalho na Usina de Bom Jesus em Pernambuco na década de 1990.

Anderson Rafael Lima da Silva - Mestrando em Educação, Culturas e Identidades.

 

A circulação de crianças que transitavam entre a usina, a escola e o trabalho trazem para o debate o questionamento dos discursos de naturalização do trabalho e de uma negligência histórica do poder público em fiscalizar tanto as relações de poder produzidas no mundo de trabalho como a violação de direitos humanos de meninos e meninas. Esse trabalho tem como objetivo analisar as práticas educativas na lógica da educação vocacionada, na qual os filhos dos trabalhadores rurais já teriam a disposição natural e espontânea de permanecer no campo, a partir da metodologia da Trajetória de Vida. 

Sessão II

 

“A Igreja, os patrões e os operários”: a questão operária na perspectiva d’O Semeador (Alagoas, Primeira República).

Alexsandro Rocha dos Santos Guedes - Graduando, História Bacharelado – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O objetivo da comunicação é analisar a questão operária através das notas e notícias do jornal “O Semeador” durante a Primeira República. Este estudo evidencia que a organização dos trabalhadores nos sindicatos, as ações de paralisação e as greves eram noticiadas com preocupação pela imprensa católica naquele período. Como hipótese inicial compreende-se que o movimento dos trabalhadores se apresentava contraposto à “doutrina social da Igreja” defendida pelo “O Semeador” como a “verdadeira solução” para os conflitos entre “patrões e trabalhadores”. Deste modo, espera-se contribuir para o estudo do catolicismo como mediador histórico das relações trabalhistas em Alagoas.

 

O Partido Socialista Brasileiro em Alagoas (1945-1964).

Rodrigo Abrahão Moisés da Silva - Especialista – Instituto Federal de Alagoas - (IFAL)

 

Foi diante da conjuntura liberal brasileira entre 1945 e 1964 que nasceu o PSB. A história deste partido remonta o ano de 1945 quando foi criado um movimento intitulado “esquerda democrática” composta por liberais e socialistas que se opunham ao governo Vargas. Na formação da Esquerda Democrática no Rio de Janeiro, destacaram-se importantes lideranças, tais como: João Mangabeira, Hermes Lima e Domingos Velasco. Em 1950 foi organizado o PSB em Maceió, tendo como fundadores o deputado Aurélio Viana da Cunha Lima e o vereador, por Maceió, José Sebastião Bastos.

 

A tragédia da tragédia do populismo: uma análise do conceito de Populismo a partir da historiografia alagoana acerca do impeachment de Muniz Falcão, Alagoas (1956-1960).

José Fernando Barbosa dos Santos - Graduando em História Licenciatura - Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A presente comunicação tem por objetivo analisar o conceito de Populismo utilizado na obra A tragédia do populismo: o impeachment de Muniz Falcão, do historiador alagoano Douglas Apratto Tenório, como parte de uma vertente historiográfica da segunda metade do século XX, que define as políticas do governador de Alagoas como práticas populistas. A partir disso pretende-se observar os debates acerca de populismo e trabalhismo, a partir de uma base historiográfica produzida acerca de processos históricos contemporâneos ao impeachment de Muniz Falcão e posteriormente realizar uma análise comparativa com a realidade da historiografia alagoana e do processo histórico em questão.

“Zé do burro é comunista”: Igreja Católica e moral cristã em Alagoas na repercussão do filme O Pagador de promessas (1962).

Maria Viviane de Melo Silva - Mestrado em História  - Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

Este trabalho objetiva analisar como a repercussão do filme O Pagador de Promessas retratou aspectos vigilantes da Igreja Católica em Alagoas. No ano de 1962, o filme foi exibido no Cine São Luiz em Maceió-AL e no dia seguinte, o Jornal Alagoano Católico “O Semeador”, noticiou uma advertência negativa sobre o conteúdo do mesmo. Desta feita, refletiremos sobre alguns aspectos do filme que fizeram a Igreja Católica adotar tal postura, incluindo o fato do personagem principal Zé do Burro ser acusado de comunista, buscando compreender o posicionamento da Igreja em relação ao Cinema e sua influência no meio social.

 

A campanha pela Anistia política - A esperança equilibrista: a campanha pela Anistia política (1978 - 1979).

Jonathan Soares de Souza - Mestre em História – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

A política no Brasil durante os anos de 1978 e 1979 agitou de diversas maneiras o país. A intensa campanha mobilizadora em função da Anistia no final dos anos 70 pode ser encarada como uma campanha formadora de sujeitos e de sentidos, que naquele momento estavam recuperando a linguagem do espaço político e da reivindicação por tantos anos silenciada. Este trabalho apresenta como as campanhas se desenrolaram no país, com atenção especial em Pernambuco, através de dois sujeitos institucionais: o Movimento Feminino pela Anistia e o Comitê Brasileiro de Anistia.

 

“Senhor Deus dos Exilados”: acomodação, ambivalência e metamorfose de um poeta alagoano em tempos de transição (1979).

Anderson da Silva Almeida – Doutor - Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A comunicação tem como objetivo apresentar os primeiros resultados de um Projeto de Pesquisa em andamento intitulado “Poetas e Ditadores: cordelistas e cantadores entre o Consenso e a Contestação à Ditadura (1964-1985)”. Nesse primeiro momento a abordagem está direcionada para folhetos de caráter político publicados pelo poeta alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante (1919-1987), que em 2019 completaria cem anos. Conhecido entre seus pares como um grande líder da categoria entre os anos 1960-1970, o alagoano radicado na Bahia é relembrado como um dos mais conservadores cordelistas de seu tempo. Problematizar essas memórias a partir de um folheto publicado no contexto das lutas pela Anistia política em 1979 - que esse ano completa 40 anos – contribui para compreendermos o tempo da Ditadura para além do binômio vítimas e algozes, colaboradores e resistentes, sem relativizar as marcas da violência (física, psicológica e simbólica) que ecoam em nosso presente.

 

Memórias Reveladas: os presos políticos nas fichas do DOPS no estado de Alagoas (1960-1980).

Ewerton Oliveira de Jesus – Graduando – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O presente trabalho pretende analisar as fichas policiais do (DOPS) nas décadas de 1960 a 1980 no estado de Alagoas. Esses dados estão relacionados ao gênero, profissão, faixa etária dos indivíduos que foram presos pela Polícia Política durante esse decorrer. Além disso, apresenta os motivos dessas detenções que permitem compreender o contexto local e o quanto o estado de Alagoas estava inserido no âmbito nacional em que as “liberdades” estavam cerceadas. As fichas fazem parte do portal Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.

A qualidade da Educação no contexto da Reforma Republicana do Brasil da década de 1990.

Claudiane Oliveira Pimentel Fabricio - Mestranda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Esse artigo é um recorte da história recente sobre a política de educação, do período de 1999 a 2016. Porque sob este período incide a principal Reforma Educativa do Brasil dos últimos tempos, desencadeada pela aprovação da LDB n. 9394/1996 e pelas legislações dela decorrentes. Consiste basicamente em averiguar a influência da Reforma Educativa da década de 1990 nos rumos da Educação contemporânea, fazendo uma análise do processo de avaliação da qualidade da educação apresentadas neste período. Os estudos foram realizados no campo da pesquisa histórico-social da história recente, com fundamento em Aróstegui (2006), tomando como base a investigação bibliográfica e documental, em fontes, teóricas, documentais e historiográficas e fazendo uso das técnicas de observação direta e análise documental dos documentos oficiais e relatório governamentais. Para entender o contexto da Reforma Educativa de 1990, foram considerados os pressupostos teóricos de três pesquisadores brasileiros, que direcionam ao entendimento do momento político atual: José Carlos Libâneo, em duas obras: “Educação Escolar: política estrutura e organização” (2012) e “Uma Escola para Novos Tempos” (2004); Marcos Cesar de Freitas (2009) com a obra  “História Social da Educação no Brasil (1926-1996); e a pesquisadora Elione Maria Nogueira Diógenes, com dois textos: “1990 em Diante: o trem descarrilou” (2016) e, “A Dinâmica Histórica das Políticas Públicas no Brasil (2012).

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