Movimentos Sociais: atores, conflitos, projetos e memórias

Coordenadores:

Dr. Rodrigo José da Costa (UFAL) 

Dr. Airton de Souza Melo (UFPE)

 

Este Simpósio Temático tem por finalidade reunir trabalhos que discutam temas relacionados aos movimentos sociais nas suas mais variadas manifestações, bem como sua análise do ponto de vista histórico, nos séculos XX e XXI. Entende-se que o espaço social é composto por atores em permanente disputa tanto no campo material quanto simbólico. Estando munidos de elementos distintos e ocupando posições diferentes na

sociedade, eles empreendem entre si relações de poder e procuram afirmar suas posições e a legitimidade dos seus discursos. As suas práticas não estão, portanto, descoladas das circunstâncias que as envolvem, pois são influenciadas pelas singulares dos sujeitos. Estes desenvolvem ainda práticas discursivas e produzem narrativas igualmente em função dessas circunstâncias. Procura-se, então, criar um espaço de discussão das diferentes formas de atuação e organização dos sujeitos a partir tanto das suas práticas quanto dos seus discursos. Quanto às práticas, levam-se em conta suas ações, táticas, sua mobilização e capacidade organizativa e de resistência. Ou seja, as formas de ação no seu sentido mais amplo: movimentos sociais, partidos, sindicatos e Justiça do Trabalho, associações e organizações civis, igrejas etc. Já por discursos e narrativas do conflito, entendem-se a representação discursiva e a construção de sentidos que estes agentes atribuem as suas ações. Valoriza-se, assim, não apenas a sua prática, mas também a representação simbólica e discursiva que fazem dela, sua subjetividade, a polifonia de suas falas e a sua pluralidade de sentidos.

Sessão I

A redemocratização e o fortalecimento dos Direitos Humanos das Crianças e Adolescentes: Emergência de novos sujeitos e problemas para a História (1990).

João Victor Braga de Souza - Mestrando em História – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

 

A História do tempo presente como campo de pesquisa, é marcada pelas variadas fontes utilizadas, além de caminhos teóricos metodológicos que evidenciem os aspectos sensíveis presentes por tratar de temporalidades em que os traumas estão visíveis e palpáveis na materialidade. Assim, o presente trabalho visa problematizar a relação da História do tempo presente com a produção historiográfica acerca das crianças e dos adolescentes, discutindo a redemocratização como mecanismo de fortalecimento da política de direitos humanos e da proteção integral na década de 1990 na cidade do Recife.

 

De Limão a assentamento Santa Maria Madalena.

Tarssia Clires Sabino dos Santos - Mestranda em História - UFAL

O presente trabalho aborda a questão da terra no Município alagoano de União dos Palmares, local onde alguns assentamentos tem surgido ao longo dos anos, são famílias na luta pela posse de terras e que desafiam o poder público com invasões as propriedades, entretanto, ainda assim o poder de mando senhorial ainda é presença forte no Estado. Este trabalho apresenta um desses assentamentos é o Limão, depois chamando de Santa Maria Madalena, cuja formação não sofreu com a repressão violenta dos meios de coerção do Estado e senhores pela invasão da terra, mas que, ainda assim, enfrenta o isolamento e a carência de recursos básicos para uma boa qualidade de vida. Este estudo atenta para o problema da terra não apenas como a antiga situação de exploração dos trabalhadores, mas, também, a sua tomada de consciência na reivindicação dos seus direitos enquanto cidadãos, ao mesmo tempo em que ocorrem casos onde as relações quase de compadrio e acordos para a resolução dos conflitos. A pesquisa, desse modo, está inserida no campo da História Social e se propõe a abordar forma como o “repertório”, dessas ações de ocupação e de acordos vão se constituindo e adaptando a partir das necessidades dos assentamentos, a partir de Tilly (2010) , junto com o sentindo e o poder das oligarquias a partir de Tenório (2018).

Registros historiográficos do sindicalismo em Alagoas na segunda metade do século XX.

Matheus Cavalcante Laurentino - História bacharelado – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O projeto tematiza a história do movimento sindical em Alagoas ao longo da segunda metade do século XX, identificando as principais conjunturas e rupturas ocorridas ao longo desse período. Ao mesmo tempo, pretende caracterizar os principais sujeitos (sindicatos, centrais, etc) e lideranças que estiveram envolvidos nesse período, já que partimos da premissa de que a história de uma determinada classe exige que seja colocada em relação a outra classe (THOMPSON, 1987). Para tanto, se fez um levantamento inicial de relatos, memórias e registros historiográficos deste passado ainda inconcluso.

“Carentes de direito”: a precarização das condições de trabalho da construção civil em Alagoas, 1964-1975.

Renata Carla Silva de Gusmão – Mestra – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

A presente comunicação propõe analisar como a ditadura empresarial-militar brasileira provocou uma avalanche de obras, que implicou no crescimento precarizado de trabalhadores empregados no setor da construção civil. Os contratos por empreitada aconteciam em escalas muito maiores, atingindo massivamente os trabalhadores e alterando as relações patrão-empregado, que deixou de ser direta. Sem que existisse uma legislação bem definida e eficaz para dirimir os conflitos na construção civil, o patronato se beneficiou para protelar a tramitação de processos que iam parar na Justiça do Trabalho e manter as características de terceirização e informalidade que predominaram naquele contexto.

 

Movimentos Sociais em Alagoas: fontes e possibilidades de investigação (1960-2010).

Rodrigo José da Costa - Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista de Pós-doutorado no Mestrado em História da Universidade Federal de Alagoas (PNPD-CAPES/PPGH-UFAL).

O objetivo da comunicação é apresentar resultados da pesquisa de pós-doutoramento desenvolvida ao longo do último ano no Mestrado em História da UFAL. A exposição centrar-se-á nos acervos documentais obtidos referente aos movimentos sociais, nas suas mais variadas manifestações e organizações, avaliando as suas potencialidades e limitações. Destacaremos também algumas das referências teórico-metodológicas que tem embasado nossa pesquisa, demarcando as contribuições que a História Social Inglesa e a Sociologia dos Movimentos Sociais forneceram para o nosso objeto de estudo.

Sessão II

Mulheres vendeiras: Narrativas de Si e Estratégias de Sobrevivência.

Lucas Rafael Cordeiro Meneses - Graduando, Universidade de Pernambuco (UPE) - Campus Garanhuns.

Rosa Maria Farias Tenório - Mestre, Universidade de Pernambuco (UPE).

A presente investigação emergiu em debates de grupo de estudo sobre história das mulheres e de gênero na Universidade de Pernambuco e fomentada em atividades do PIBID que pautavam história das comunidades quilombolas. Com recorte no Agreste Meridional de Pernambuco, contribui para o estudo sobre o feminino, visto o silenciamento histórico das mulheres. O trabalho objetiva a compreensão de realidades cotidianas de mulheres negras que em decorrência das desigualdades sociais e de gênero necessitam buscar subterfúgios com vistas à produção de sua existência.

 

Meninas em situação de rua em Recife: a atuação da Casa de Passagem na proteção e garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

Ana Gabriella do Espírito Santo - Mestranda - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Este trabalho se propõe a analisar os cenários de violação vividos por meninas que buscaram o espaço das ruas como alternativa de liberdade para as suas vidas, como também historicizar a Casa de Passagem, Organização Não Governamental pioneira no atendimento direcionado às meninas. O recorte espaço-temporal do estudo se dá na cidade do Recife entre as décadas de 1980 e 1990, visto que foi um período de emergência de reivindicações sociais, especialmente quando se trata dos direitos de crianças e adolescentes.

 

A educação popular referente às práticas educativas em uma organização de movimentos sociais.

Mylena Siqueira Torres Silva - Graduanda - Universidade Federal de Pernambuco Campus do Agreste.

Marcela Ferreira da Silva - Graduanda - Universidade Federal de Pernambuco Campus do Agreste.

O objetivo desse trabalho é identificar as práticas educativas da educação popular nos movimentos sociais, visando às influências das práticas feministas incorporadas dentro da organização que acolhe mulheres em situação de violência no município de Caruaru em Pernambuco. Para nortear nossa pesquisa, seguimos como ponto de partida identificar as principais práticas de educação popular desenvolvidas pela organização; sistematizar algumas discussões sobre o feminismo e compreender o contexto da violência contra a mulher e a lei que assegura sua proteção. Para tanto, nosso exercício de pesquisa tem como fundamentação teórica os textos de BATISTA, HURTADO, PASINATO (2010) e TELES (2002). Essa foi uma pesquisa qualitativa que se baseou em observação participativa, entrevista e diálogos com os sujeitos da pesquisa. Como principais resultados obtidos em nossa pesquisa, apontaremos as práticas de educação popular e as influências do feminismo que aparecem nos serviços realizados pelo CRM, tendo em vista também o acolhimento prestado a mulheres em situação de violência.

 

Memória e identidade quilombola: o caso da comunidade remanescente de quilombo Pau d’arco.

Pedro Henrique Soares Pereira - Graduando pela Universidade Estadual de Alagoas

Luana da Silva Farias - Graduanda pela Universidade Estadual de Alagoas

Clébio Correia de Araújo - Doutor em Educação pela Universidade Federal de Alagoas e professor na Universidade Estadual de Alagoas

É plausível apontar que a formação de lugares de memórias dentro das comunidades tradicionais, apesar de ser uma manifestação vivida no presente, transporta a comunidade a um passado que dá sentido e unidade ao grupo. Aqui serão tratados dados finais do projeto de pesquisa intitulado "Cultura, identidade negra e resistência: O caso da comunidade remanescente de quilombo Pau d’Arco", onde a partir da percepção dos sujeitos quilombolas sobre si mesmos e sobre o grupo a que pertencem, as narrativas e os costumes tradicionais, busca-se identificar e compreender como se constituem e funcionam os lugares de memória da comunidade quilombola Vila Pau d’arco, no município de Arapiraca-AL, construindo assim, uma história de como sua história foi construída.

 

A mulher do campo e os paradoxos do discurso pós-moderno no movimento feminista.

Paloma Caroline Silva Araújo - Graduanda em História - Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL).

Eduarda dos Santos Moreira - Graduanda em História pela Universidade Estadual de Alagoas, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência. 

Laísa Tavares Silva - Graduanda em História pela Universidade Estadual de Alagoas, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência.

Este artigo tem como intuito fomentar reflexões acerca do feminismo pós-moderno e como o mesmo desenvolve um discurso primordialmente voltado para a realidade das mulheres urbanas e burguesas, em sua maioria brancas, de modo que pode ocorrer um processo de invisibilização da realidade de outras mulheres como a mulher do campo, que será posta em debate neste trabalho, levando em conta também os recortes de classe. Dessa maneira, a construção da pesquisa terá como objetivo promover o debate sobre a pós modernidade (ou pós-estruturalismo) e os seus discursos dentro do movimento feminista, buscando contribuir para a quebra de certos estigmas e exclusivismos ainda presentes dentro do mesmo, no século XXI. A pós-modernidade e sua discussão são temas candentes e polêmicos dentro e fora das universidades. Por conter uma linguagem atrativa, principalmente para a juventude, e ter uma falsa ideia de contestação ao sistema, essa corrente ideológica se torna um bom meio de alienação para afastar a ideia de luta de classes da população de forma subjetiva. Tendo em vista essa problemática dentro de um movimento social de tamanha importância como o feminismo decidimos permear, antes de tudo, pela compreensão sobre a corrente pós-moderna e em como ela se manifesta através do feminismo, para que então, seja possível a construção de uma crítica em cima dos seus paradoxos, discutindo como as pautas dessa vertente ideológica se constroem de forma mais excludente do que inclusiva, gerando conflitos e contradições que promovem o enfraquecimento e o separatismo dentro do movimento, que tem como principais ideais a igualdade e a união de todas as mulheres por seus direitos enquanto cidadãs. A metodologia usada para a construção desse trabalho é exclusivamente o uso de análises bibliográficas, e terá fundamentação a partir das reflexões de: (PINHEIRO 2018), (PEDRO, 2000), (GROSSI 2000), (MACHADO 2018), (SILVA 2016), (MENDES 2002).

17 de Junho de 2013 e a fúria dos Manifestantes Black Blocs no Protesto na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ)

José Enes Alves Braga Júnior - Graduando em História, UFAL, Campus do Sertão, membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em História, Sociedade e Cultura

O objetivo desta comunicação é discutir o dia dezessete de junho de 2013 das manifestações conhecidas como Jornadas de Junho na cidade do Rio de Janeiro e a utilização da tática Black Bloc no ataque à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e nos arredores dessa. As Jornadas de Junho de 2013 foram organizadas pelo Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP) na cidade de São Paulo que, no ápice, conseguiu a adesão de milhões de pessoas nas ruas das grandes, médias e pequenas do Brasil para, inicialmente, lutarem contra os aumentos das passagens de transportes coletivos, outras pautas como educação, saúde e transporte coletivo de qualidade foram acrescentadas posteriormente. A luta contra o aumento da tarifa começou em Salvador em 2003 no protesto chamado Revolta do Buzu, depois se espalhou por outras cidades como Florianópolis (2004-5) na Revolta da Catraca. Para este trabalho, foram utilizados um livro, um artigo e uma dissertação de jornalismo. Esses protestos aconteceram a nível nacional e chamaram a atenção do mundo por causa da sua proporção, mas o protesto do dia dezessete de junho de 2013 causou polêmica na opinião pública e entre os manifestantes por causa de vários manifestantes anônimos vestidos de preto atacando carros, prédios públicos e privados e grafitando muros, a expressão “Black Bloc” foi publicitada pela cobertura das mídias corporativas e alternativas brasileiras, entretanto não foi o primeiro uso em manifestações brasileiras, e, a partir desse dia, a maioria dos brasileiros passavam a conhecer essa forma de protesto. Portanto, as Manifestações de Junho foram consequências da carestia do país, da insatisfação popular com os governos das três esferas (federal, estadual e municipal), o mal funcionamento dos serviços públicos e o investimento nos megaeventos Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 e o dia dezessete de junho de 2013 na cidade do Rio de Janeiro marcou o início da radicalização desses protestos contra a repressão violenta aos protestos. 

Palavras-chave: Black Bloc; Jornadas de Junho; Movimentos populares.

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