Religião, cultura política e movimentos sociais/

Repensando a memória étnico-racial: construção da identidade negra alagoana (1872-1950)

Coordenadores:

Ms. Alex Benedito Santos Oliveira (UFAL)

Ms. Wellington da Silva Medeiros (UFAL/SEDUC)

 

Na segunda metade do século XX, surgiram novos atores no cenário sociopolítico brasileiro, que transformaram as carências coletivas, as discriminações sexuais e de gênero, as desigualdades raciais e a concentração fundiária em bandeiras de lutas coletivas. Uma significativa parcela desses movimentos reivindicatórios emergiu a partir de espaços religiosos, e passaram a influenciar o cotidiano político e social baseados em culturas político-religiosas. Desse modo, o presente simpósio propõe a abertura de um espaço de debate para pesquisas que discutam a atuação dos diversos atores religiosos no campo sociopolítico brasileiro, seja na política institucional, na formação de agentes políticos ou na atuação em movimentos sociais, durante os séculos XX e XXI.

Coordenadores:

Ms. Gabriela Torres Dias (UFAL/SEDUC) 

Ms. Gustavo Bezerra Barbosa (UFAL/SEDUC)

 

Em fins do século XIX e primeira metade do século XX, a construção da história do negro em Alagoas, esteve ligada a um caráter marcadamente oligárquico, o que possibilitou a elaboração de narrativas autoritárias, na maneira de sintetizar a vida social e cultural do negro alagoano. Tais concepções são reflexos de uma sociedade onde historicamente estes sujeitos têm sua cidadania negada. Portanto, este simpósio tem como objetivo trazer à tona, o debate e os desafios que ainda se impõem para a desconstrução desses padrões rumo às narrativas históricas que combatam opressões.

Sessão I

 

A dor da cor: o racismo velado existente no Brasil.

Saelen da Silva Pinto – Graduanda da Universidade Estadual de Alagoas e Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência.

Gleycyelle da Silva Oliveira – Graduanda da Universidade Estadual de Alagoas e Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência.

 

Em 13 de maio de 1998, chega ao fim a escravidão no Brasil, após séculos de maus tratos, torturas e injustiças para com os negros escravizados. A história do negro no Brasil, na maior parte das vezes, é relatada de forma superficial, ligando-a apenas ao período de escravidão e colocando como segundo plano questões cruciais a serem debatidas que ajuda na compreensão do hoje. Em 1888, com a abolição da escravatura iniciou-se um processo de busca, por parte dos escritores brasileiros, em definir a identidade nacional do Brasil, entretanto, existia uma grande resistência vinda por parte da elite brasileira em reconhecer a participação dos negros e índios durante esse processo de formação. Nesse cenário, surgirá vários autores que vão fomentar a ideia de país mestiço, devido a miscigenação dos europeus, indígenas e africanos, no entanto, esta concepção não tinha como intuito evidenciar a pluralidade étnica e cultural existente nas raízes brasileiras, mas promover um processo de transformação que teria como consequência a destruição da identidade étnica dos negros, o incentivo ao branqueamento cultural, e por fim, a propagação de um racismo mascarado na ideia de democracia racial e igualdade. Dessa forma, nesse artigo, pretende-se discutir sobre a ideia de Brasil mestiço que surge no período de pós abolição e o mito da democracia racial, consolidado principalmente por Gilberto Freire na obra “Casa grande senzala”, e a partir desse debate, pretendemos tratar acerca do racismo velado no Brasil e como a visão secular do negro tido como inferior foi sendo desenvolvida. Como referencial teórico-metodológico usaremos a história oral, tendo em vista o uso desta como forma de destacar a importância da memória e oralidade na escrita da história passada que se faz presente. Além disso, utilizaremos também como algumas das referências bibliográficas autores como: Carneiro (1997), Montenegro (1992), Munanga (2002) e Pereira (2012).

 

Nossa Senhora e o Morro da Conceição: o início de uma história.

José Pedro Lopes Neto - Mestrando em História - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRP).

 

No ano de 1904, durante as comemorações dos 50 anos de proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, na cidade do Recife, capital pernambucana, foi instalado no alto de uma colina um monumento à Imaculada Conceição. Neste trabalho, analisamos como o empreendimento foi pensado pela Diocese de Olinda numa tentativa de reafirmar a catolicidade da cidade e organizar uma neocristandade num momento no qual a Igreja buscava se reorganizar pastoral e administrativamente e o início dessa nova devoção mariana no Recife.

 

Representações da Ação Integralista Brasileira na Folha da Manhã (1938 – 1939).

Edmilson Antonio da Silva Junior - Graduando - Universidade de Pernambuco (UPE)

 

A Ação integralista Brasileira (AIB) foi um movimento de massa fundado em 1932 para implantar no Brasil um Estado corporativo e católico. Devido a semelhanças ideológicas como o corporativismo e o anticomunismo, o então governo de Getúlio Vargas permitiu a existência da AIB até a implantação do Estado Novo, em 1937, quando torna ilegais os partidos políticos e inicia uma perseguição contra seus opositores. Apesar das proximidades ideológicas com a política varguista, por apresentar ameaça, a AIB passa a ser representada de forma negativa nos periódicos oficiais do Governo.

Sessão II

 

Progressistas e Fundamentalistas: entraves entre lideranças presbiterianas nas páginas da imprensa pernambucana entre as décadas de 1950-1960.

Saymmon Ferreira dos Santos - Mestrando em História – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

 

O presente artigo propõe uma análise histórica acerca da defrontação dos discursos progressistas e fundamentalistas no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no espaço da imprensa pernambucana, estabelecendo como recorte temporal as décadas de 1950 a 1960. Não distante e apartada das tensões sociais pelo contexto da Guerra Fria, quando ocorre o acirramento entre forças capitalistas, capitaneada pelos Estados Unidos, e forças socialistas, dirigidas pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, pôde-se acompanhar no presbiterianismo brasileiro a intensificação de embates entre lideranças que conclamavam por um protestantismo atencioso e presente nas questões políticas e sociais, e outros líderes que convocam a membresia presbiteriana na batalha contra o comunismo e materialismo. Contexto sublinhado pela troca de acusações, traições, suspeições e expurgos na Igreja Presbiteriana do Brasil. A capital de Pernambuco transformou-se em ponto emblemático deste cenário de disputa. O Rev. João Dias de Araújo, de tendência progressista, e o Rev. e médico Israel Furtado Gueiros, plantador do movimento fundamentalista no Brasil, conduzem esta querela para além dos muros eclesiásticos, expondo, na imprensa pernambucana, as controvérsias que originariam mais tarde a Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil e a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

 

“A presença de mulher era mais forte”: atuação feminina nas comunidades eclesiais de base em Valente-BA e suas repercussões (1973-2000).

Cleidiane de Oliveira Lima – Mestranda - Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

 

Acompanhar a emergência dos movimentos sociais em Valente- BA, interior da Bahia, por meio de círculos bíblicos na década de 1970, resultando na “tomada” da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e na fundação da Associação dos Pequenos Agricultores do Estado da Bahia, percebemos o quão significativo foi a atuação feminina nesses espaços onde desempenharam funções significativas, fortalecendo o trabalho social. Nosso objetivo é estabelecer discussões sobre a temática na tentativa de romper com a historiografia dominante que tende a inviabilizar a contribuição feminina nesses ambientes. 

 

“Contra toda desesperança”: CEBs e políticas públicas no novo cenário sociopolítico brasileiro.

Wellington da Silva Medeiros - Mestre (UFAL/SEDUC).

 

Na segunda metade dos anos 1990, a constante hostilidade do clero, somada à nova conjuntura eclesial e político-econômica, promoveu uma desarticulação sistemática das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Alagoas. O colapso do socialismo real – no Leste europeu (1989) e na União Soviética (1991) – reforçou o neoliberalismo, contrário ao Estado intervencionista e de Bem-estar Social. No Brasil, o modelo neoliberal foi implementado pelos governos Collor (1990-1992) e FHC (1995-2002). Após uma inflexão na estrutura socioeconômica brasileira, engendrada pelos governos do PT (Partido dos Trabalhadores), entre 2003 e 2016, a pauta neoliberal retornou à ordem do dia. Com o discurso de restabelecimento da economia, os Governos Temer e Bolsonaro iniciaram um processo gradativo de esvaziamento das políticas sociais, sucateamento dos serviços públicos e desmanche dos direitos trabalhistas e previdenciários. Diante desse cenário sociopolítico e em busca de uma nova articulação, as CEBs realizaram o 27º Encontro Estadual das Comunidades Eclesiais de Base em Alagoas, com o tema: Políticas Públicas a Luz do Evangelho. Nessa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo discutir o processo de rearticulação das comunidades de base e sua cultura político-religiosa frente ao novo cenário sociopolítico brasileiro.

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