Religiões e religiosidades na História/Sociedade e cultura na Antiguidade e no Medievo

Coordenadores:

Dra. Irinéia Maria Franco dos Santos (UFAL)

Dr. Pedro Lima Vasconcellos (UFAL)

 

A proposta do Simpósio Religiões e religiosidades na História é abrir um espaço de diálogo e reflexões a respeito da presença das religiões e religiosidades no Brasil e no mundo, em diferentes temporalidades e abordagens. Serão privilegiados os trabalhos que tragam análises tanto a respeito do estudo específico do fenômeno religioso como da interface entre o religioso e o político, a cultura, o gênero, a economia, as questões de raça e classe. Nesse sentido, convidamos os pesquisadores e estudantes do tema a proporem comunicações que possam contribuir para o avanço da historiografia e dos estudos interdisciplinares das religiões e religiosidades.

Coordenadoras:

Dra. Raquel de Fátima Parmegiani (UFAL) 

Dra. Roberta Miquelanti (UFAL)

 

Este simpósio tem como proposta refletir sobre a cultura, a filosofia, a sociedade e a política no mundo antigo e medieval. A proposta é discutir questões voltadas tanto para a produção historiográfica que recai sobre estes períodos históricos, quanto para investigações que levem em conta reflexões sobre representações e modos de representar a vida elabora pelos homens e mulheres do passado.

Sessão I

 

Os primeiros pilares: a relevância dos quatro primeiros concílios ecumênicos no debate adocionista hispânico.

Luanna Klíscia de Amorim Mendes - Mestre em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

 

Os concílios são fundamentais para à Igreja desde suas primeiras décadas de existência, para ela os concílios ecumênicos foram os primeiros elementos formatadores da Igreja Cristã medieval em âmbito universalista, dado que eles tinham como premissa possuírem representantes de todos os lugares onde a Igreja esteja presente, do mesmo modo as questões dogmáticas foram temas recorrentes dentro do discussão medieval, portanto neste artigo propomos averiguar a relevância que as temáticas dogmáticas desses concílios tiveram nos debates adocionistas ocorridos no século VIII.

 

“Puta velha” e alcoviteira: A representação da mulher feiticeira na obra La Celestina de Fernando de Rojas (1478-1501).

Fernando de Sá Oliveira Júnior - Licenciando História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus do Sertão.

Igor Santiago - Licenciando/Bacharelando História – Universidade Federal da Bahias (UFBA).

 

Nesta pesquisa analisamos o imaginário sobre as mulheres acusadas de praticar feitiçaria presentes na sociedade de Espanha, entre final do século XV para o XVI, através da obra literária de Fernando de Rojas La Celestina, com ênfase na personagem Celestina. A prática da bruxaria e feitiçaria era condenada e vista como uma herética. Utilizamos ainda a feitiçaria como um “gancho” para analisar permanências e rupturas que ocorrem entre medievo e modernidade. Com quadro teórico temos Souza, Pereira e Henningsen.

 

Inquisição e protestantismo no Brasil colonial:  um balanço historiográfico e de fontes.

Jadson Ramos de Queiroz - Mestrando em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Os estudos sobre o Tribunal do Santo Ofício português, instaurado em 1536, e os seus reflexos sobre a vida dos colonos americanos têm crescido substancialmente nos últimos anos. No que concerne aos delitos contra a fé, as práticas de judaísmo têm incorporado parte considerável das pesquisas. Porém, outro delito de mesma natureza apresenta-se carente de investigações acerca dos presos no Brasil: o protestantismo. Desta forma, propõe-se uma análise da historiografia e das fontes relativas aos processos inquisitoriais que se referem aos protestantes no Brasil colonial.

 

O padre Roma: traços de uma trajetória instigante.

Pedro Lima Vasconcellos - Doutor em Ciências Sociais – Universidade Federal de Alagoas - (PPGH-UFAL).

 

A presente comunicação compartilha preliminares observações sobre a trajetória de José Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima, um dos líderes mais entusiasmados da chamada Revolução Pernambucana de 1817. Ofuscado por conta do renome de seu filho, José Ignácio de Abreu e Lima, nomeado general quando de sua atuação junto a Simon Bolívar nas lutas pela independência de Venezuela e da Colômbia, o padre Roma – como era conhecido à época – tem um itinerário curioso, muito pouco esclarecido pelas biografias que dele até agora foram feitas, envolvendo sua formação religiosa em Goiana (então capitania de Pernambuco), Portugal e Roma, os filhos que teve antes de se ordenar e a dispensa de seus votos, conseguida de ninguém menos que o papa de então, Pio VII. No retorno ao Brasil se salienta seu envolvimento com as movimentações que levariam ao já mencionado levante, bem como como sua execução sumária, diante do filho acima citado, como parte das medidas de repressão contra o movimento. Trato de registrar também sua rápida passagem por Maceió, em março de 1817, na busca de reforços que engrossassem as fileiras do levante. E identifico algumas questões ainda não respondidas nos pouquíssimos trabalhos que se debruçaram sobre sua figura, de trajetória assim peculiar.

 

“A Grande Assuada”: as representações dos conflitos entre protestantes e católicos na imprensa de Alagoas e Pernambuco (1874-1923).

César Leandro Santos Gomes - Mestre em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Estudos da Religião (LIER)

 

A comunicação tem como objetivo apresentar as reflexões iniciais de uma proposta de pesquisa que visa analisar os conflitos entre os missionários protestantes e o clero católico, em Alagoas e Pernambuco, entre os anos de 1874 e 1923. Neste contexto a imprensa brasileira se consolidou como instrumento de verificação das tensões que perpassavam os campos políticos, sociais e religiosos. Logo, pretende-se observar nos relatos dos jornais da época as representações dos embates entre os dois grupos mencionados, com foco nas categorias de "crimes de intolerância" e nos debates teológicos descritos nas páginas dos periódicos. As considerações de Natalie Zemon Davis acerca dos ritos de violência contribuíram para compreender a dinâmica religiosa entre as regiões a serem estudadas.

 

O movimento espírita e a construção de um novo segmento religioso em Maceió - fim do século XIX e início do século XX.

Vanessa Elisa da Silva Correia - Mestranda em História/PPGH – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O presente trabalho pretende apresentar os primeiros passos do movimento espírita alagoano, em suas disputas, oposições e construções, observando aspectos como o papel privilegiado de seus integrantes e o impacto que essas posições, socialmente localizadas, teriam na prática da religião em Maceió. Pretende-se, com a análise de publicações nos periódicos locais e dos agentes do referido movimento, compreender o processo de desenvolvimento do Espiritismo através das relações de poder existentes na cidade de Maceió, entre o final do século XIX e o início do século XX.

 

“Basta de feitiço!” - Civilização, formação de comunidade afro-religiosa e o medo do feitiço na Maceió republicana (1889-1900).

Lilia Rose Ferreira - Mestranda em História – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

 

As produções mais relevantes da historiografia sobre a primeira República demonstraram a presença negra como alvo central de discursos e ações violentas, justificadas pela necessidade de modernizar e civilizar costumes e práticas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar os discursos de civilização impressos em jornais do final do século XIX em Maceió, bem como a relação desses com o processo de perseguição aos negros e suas práticas afro-religiosas na capital alagoana. Do mesmo modo, pretende-se indicar estratégias de resistência, identidades e formação de comunidades étnicas.

 

Religiosidade afro-Brasileira: uma perspectiva de classe.

Iara Katielle Pereira da Silva - Graduanda em História – Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL).

 

O presente trabalho tem como objetivo analisar o conceito de classe dentro do cenário religioso afro-brasileiro, com foco nas relações e manifestações culturais que vem sendo observadas na contemporaneidade. Insistir na percepção e no reconhecimento de que os negros são alvos de intolerância religiosa e, até na sua própria percepção quanto a serem vítimas, não se traduz na eficácia do combate a esses ataques, fazendo-se necessário compreender a relação e os contextos entre religião e classe social. A partir da concepção de religião afro-brasileira e do seu percurso histórico, pode-se diferenciar alguns aspectos e o seu desenvolvimento. Essas abordagens centradas na relação entre religião e classe alteram e penetram o espaço social popular, aumentando a possibilidade de resultados legitimadores da margem social, no qual se encontra o conjunto cultural e religioso afro-brasileiro; não se tratando, apenas, de um problema de intolerância religiosa, mas também político e social. Logo, a cultura e a identidade “Afro” são justificadas a partir de fundamentos e ideais eurocêntricas, em um determinado contexto histórico e em uma temporalidade que as marginalizavam. Pontuar essa análise é algo que vai além de questões culturais e religiosas no Brasil, estando intimamente ligada à classe social. Os estereótipos negativos atribuídos à cultura negra acabam por se transformar em uma pressão psicológica e interiorizam o retrato de inferiorização perante a afirmação cultural. Sem dúvidas, hoje, é uma questão de resistência cultural falarmos sobre religiões afro-brasileiras e, sobretudo o que legitima a história, a construção da identidade negra e seu discurso histórico, visto que a cultura e o trajeto percorrido por essa população se deram sob uma forma de exclusão e marginalização social.

 

“O Ilê é sagrado”: Reflexão sobre Candomblé e meio ambiente a partir do filme Besouro.

Natália Gabriela Barbosa Dill - Cursando técnico em Meio Ambiente/IFAL, Campus Penedo

Maria Viviane de Melo Silva - Mestra em História - UFS/Profª Substituta IFAL, Campus Penedo.

 

O presente trabalho busca refletir sobre o Candomblé e a relação dessa religião com o meio ambiente, tendo como norte o filme Besouro (2009), a partir de autores como Felipe Martins, Valéria Lima, entre outros que dialogam sobre os vínculos entre candomblecistas e o meio ambiente; bem como Eduardo Morettin e Marcos Napolitano, que compreendem o filme como fonte histórica. Discutiremos a importância do meio ambiente para os candomblecistas e de que maneira o filme aborda tal relação, analisando como a cultura do candomblé pode formar a consciência ambiental/crítica de um povo.

 

“Ao som da reza”: benzimento e cura no município de Palmeira dos Índios – Al

Luana Moraes dos Santos – Graduanda – Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL, Campus III Palmeira dos Índios.

 

O presente trabalho, através da perspectiva etnográfica, pretende discutir os rituais de benzimento e a relação existente entre a fé e a memória na construção da identidade. Analisa-se a figura das rezadeiras no processo de rememoração dos saberes culturais. Será utilizada como metodologia a pesquisa de campo e a revisão bibliográfica de alguns autores como Candau, Eliade e Bruschetta. Por fim, enfatizar-se-á a importância das práticas tradicionais e o uso de ervas na cura de enfermidades.

 

A revelação de 1978: Considerações sobre o fim da restrição dos negros ao sacerdócio mórmon.

Fernando Pinheiro da Silva Filho - Licenciado em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Um dos assuntos mais problemáticos na narrativa histórica da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi a restrição ao sacerdócio para os homens afrodescendentes. Os mórmons, como também são chamados os membros dessa religião, já tiveram por mais de um século uma segregação racial “eclesiástica” entre seus membros. O presente trabalho abordará os aspectos doutrinários e históricos da restrição e de seu fim, assim como suas consequências no mundo, sobretudo no Brasil.

 

Sessão II

 

O rei-sábio e o rei-cavaleiro: a diferenciação dos modelos monárquicos da França e da Inglaterra durante a Guerra dos Cem Anos.

Ives Leocelso Silva Costa - Mestrando em História – Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), modelos distintos de realeza foram desenvolvidos na França e na Inglaterra. Enquanto na Inglaterra a figura do Rei-Cavaleiro, centrada em Eduardo III, alcançou um novo patamar de notoriedade; na França, o Rei-Sábio, representado por Carlos V, se tornou o ideal a ser seguido. Ambas as tradições retiravam sua legitimidade da guerra, reagindo, cada uma à sua maneira, à captura de João II da França na Batalha de Poitiers (1356). Este trabalho pretende analisar este processo de diferenciação e seu impacto na monarquia destes dois reinos no fim do período medieval.

 

“O sacerdote de Baal”: O embate entre o vigário das Alagoas e o guardião do convento de São Francisco em meio aos ciclos epidêmicos (1856-1870).

Lydio Alfredo Rossiter Neto -Bacharelando em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Membro do Laboratório Interdisciplinar de Estudo das Religiões (LIER).

 

Esta comunicação tem como objetivo estudar a atuação do clero católico influenciado pelas idéias e práticas regalistas e ultramontanas no território alagoano, em meados do século XIX. Averíguam-se os conflitos na relação entre estes pressupostos, as mudanças jurídicas e administrativas de impacto social na cidade de Alagoas, a exemplo do conflito entre o vigário Domingos José da Silva e o Guardião do convento de São Francisco, em especial diante dos ciclos epidêmicos que afetaram a saúde pública. Este estudo permitiu compreender que, um dos papeis da Igreja Católica, no período, foi a tarefa de ordenar o espaço social, juntamente com o Estado Imperial em âmbitos políticos, culturais e ideológicos.

 

Representações do catolicismo popular em Paripiranga (1870-1940).

Ana Maria Ferreira de Oliveira - Mestranda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

 

Tendo em vista as constantes transformações do campo religioso brasileiro, a pesquisa apresentada consiste no estudo acerca da representação do catolicismo popular em Paripiranga, na Bahia, a partir da análise das experiências de culto dos sujeitos socioculturais. Para tanto, buscam-se fontes eclesiais, jornais locais e leituras que tratam das particularidades da religiosidade e do catolicismo sertanejo. Assim se pretende, pela abordagem das diversas fontes encontradas, discutir, a partir da História Cultural, aspectos da representação da fé popular, em Paripiranga, entre 1870 e 1940.

 

Imprensa católica na Primeira República.

Irineia Maria Franco dos Santos - Doutora em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O objetivo da comunicação é apresentar parte dos resultados da pesquisa de pós-doutorado desenvolvida na UFRGS, em 2018, a respeito da Imprensa católica na Primeira República. A escolha temática deu-se na percepção de uma atuação contínua dos católicos na imprensa local, sendo o periódico "A Fé Christã" um exemplar relevante da militância pela “boa imprensa”, praticamente “esquecido” na historiografia do catolicismo em Alagoas. Encontrar este semanário na base de dados da Biblioteca Nacional, permitiu “redescobri-lo” e observar o seu processo de produção em um período de muitas transformações para a Igreja Católica e a sociedade brasileira. Através de seu estudo foi possível identificar as principais preocupações da Igreja Católica, recém separada do Estado brasileiro e a particularidade de sua situação em Alagoas, com o recém fundado bispado (1900). Percebeu-se, na leitura das suas edições, o quanto a Questão Religiosa dos anos 1870 ainda se fazia presente em um novo contexto e como o chamado ultramontanismo estava posto como um projeto amplo, a ser aplicado para a reforma do catolicismo.

 

“Este livro há de servir...”: história, documentos e a memória da Igreja Católica em Alagoas.

Luiza Sahara da Silva Santos - Graduanda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Esta pesquisa aborda a trajetória histórica da formação do Arquivo da Cúria Metropolitana de Maceió, a partir de 1940 com a chegada do Arcebispo D. Ranulpho Farias. Ao estabelecer um diálogo com seus registros escritos, suas orientações históricas e arquivísticas, destaca-se os feitos e os rumos desse arquivo eclesiástico em Alagoas, sob influência dos paradigmas que o regem enquanto lugar de memória da Igreja Católica.

 

Estratégias de recatolicização na diocese de Garanhuns: Dom Francisco Expedito Lopes (1955-1957).

Luciana Valéria Morais Santiago - Mestranda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Nesta comunicação propomos refletir sobre as estratégias desenvolvidas por Dom Francisco Expedito Lopes a frente da diocese de Garanhuns, Pernambuco (1955-1957), para recatolicizar aquela diocese. O prelado promoveu verdadeiras campanhas de combate ao jogo, ao protestantismo, à maçonaria, ao espiritismo e ao comunismo. Utilizou "a boa imprensa" e os institutos de ensino confessionais para implantar as ideias romanas para o período.

 

A Teologia da Libertação na mira do Comitê de Santa Fé (1980-2000).

Osnar Gomes dos Santos - Doutorando em História – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

O presente trabalho tem por objetivo tratar das orientações geopolíticas do Comitê de Santa Fé que dizem respeito ao combate da Teologia da Libertação. As orientações revelam as ingerências da política estadunidense na América Latina, dedicada à desestabilização de organizações e governos latino-americanos considerados ameaças aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos na região. A Teologia da Libertação aparece em todos os documentos do Comitê como uma dessas ameaças. A análise das recomendações do Comitê desnuda o complexo xadrez político em que a Teologia da Libertação esteve confinada.

 

“Para além da Fé”: debates sobre a submissão eclesiástica de Arapiraca-AL.

Marcos Ponciano da Silva - Especializando em História do Brasil: Cultura e Memória- Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL)

Luan Moraes dos Santos - Mestre em História- Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

 

Este trabalho discute o cenário político-religioso do município alagoano de Arapiraca, cidade que exerce influência através de seu avanço econômico e político. Porém, no âmbito religioso é controlada por uma cidade menor, mesmo tendo o maior número de fiéis. Busca-se embasamento teórico em Benedict Anderson (2008) para compreender como os grupos religiosos se entendem na comunidade e, em Michel de Certeau (2011), no encalço de operacionalizar a documentação e os relatos de pesquisa.

 

Entre o sagrado e o profano: relações de poder e sociabilidades na Missa do Vaqueiro de Manari – PE.

Carlos André da Silva - Mestrando em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Este artigo tem como objetivo analisar as relações de poder e sociabilidades na realização da Missa do Vaqueiro de Manari – PE. Busca-se compreender quais os fatores e os elementos que coadunam a sistemática entre o sagrado e o profano no espaço de celebração do evento religioso. Também identificar elementos existentes no município de Manari - PE, que o caracterizam enquanto região com fortes ligações com a cultura do vaqueiro. Além de discutir a importância das relações, tomaremos como base narrativas orais, tanto dos habitantes do espaço rural, quanto do espaço urbano, para discutir a importância das relações socioculturais dos vaqueiros com o sertão pernambucano. Foram adotados como embasamento teórico estudos sobre a temática da História Oral, História Cultural e Memória, e os autores Correia, Albuquerque Jr., Del Priore, Cunha, Cascudo, Meihy e Holanda, e Souza. Foram utilizados dados coletados através de entrevistas com moradores do município, que participaram de vários momentos importantes da trajetória histórica da Missa do Vaqueiro. E, com isso, é possível perceber a existência de situações conflituosas, ou de interesse individual que acabam prejudicando o andamento histórico do evento em tela.

 

A figura do autor e a autoria: um debate entre Michel Foucault e Roger Chartier.

Dyandra Lima de Farias - Graduanda em História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Essa comunicação tem como objetivo analisar o debate discursivo entre a tese “função autor”, de Michel Foucault, que defende o surgimento do processo de atribuição da autoria em função de duas condições: a construção jurídica da autoria e a busca da Igreja e Estado em censurar textos, debatendo a (re)discussão das origens da figura do autor e dos dispositivos históricos culturais que promovem a “função autor”, em Roger Chartier.

 

Rezas femininas e rezas de masculinas: uma discussão sobre as particularidades de gênero no ofício da benzeção

Arlindo da Silva Cardoso - Bacharel em Design – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Membro dos grupos de Estudos da Paisagem da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFAL) e Antropologia Visual em Alagoas - AVAL (ICS/UFAL)

Juliana Donato de Almeida Cantalice - Bacharelado em Design da UFAL/Doutoranda em Materiais – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

O objetivo desta comunicação é discutir as distinções e semelhanças no conhecimento das rezas entre homens e mulheres, no ofício da benzeção. Para isso, tomam-se como suporte as experiências de campo do material bibliográfico sobre o tema - tratando as benzedeiras da região sudeste -, bem como as do autor em dois momentos: na iniciação científica, durante o projeto de Mapeamento do Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas e no Trabalho de Conclusão de Curso do Bacharelado em Design, com monografia intitulada: O olhar antropológico do designer: uma abordagem simbólica das benzedeiras de Maceió.

© 2017 por CPDHis - Centro de Pesquisa e Documentação Histórica - ICHCA - UFAL. Maceió - Alagoas - Brasil.