Ver e ler o passado: imagem, cultura visual e a escrita da História

Coordenadores:

Aryanny Thays da Silva (UFPE) 

Carlos Renato Araujo Freire (UFPE)

 

O presente simpósio se propõe como um espaço de encontro para pesquisas que envolvem as relações entre imagem, cultura visual e escrita da História. O historiador Manoel Salgado Guimarães contribui para este debate salientando alguns pontos importantes. Tanto ao afirmar que o saber a respeito do passado estaria relacionado com o mundo das imagens, seja enquanto conhecimento acadêmico, seja aquele que surge como demanda das sociedades no tempo presente. Mas também ao salientar que as operações que efetivam uma certa visualidade do passado simultaneamente produzem seu oposto, o invisível, estas apontam também na direção de alguém que vê, das técnicas e modalidades de dar a ver dispostos no tempo e possuindo uma história. A partir dessa encruzilhada, este simpósio temático almeja contemplar as discussões sobre as dimensões histórico-sociais das imagens. Pretendemos reunir abordagens sobre as condições sociais, culturais e técnicas de produção, circulação e consumo dos produtos visuais, assim como das instituições que suportam a dimensão visual e constroem narrativas sobre o passado. Interessa-nos igualmente o debate em volta das trajetórias de sujeitos ligados a visualidade, o engajamento do olhar, a dimensão política das imagens e a possibilidade de uma história pública que amplie os canteiros do conhecimento histórico. Os documentos que tornam o passado visível são diversos: o patrimônio cultural, a cultura material, a fotografia, o cinema, os quadrinhos e as celebrações. Assim, o simpósio abre-se para a participação de pesquisas em diversos momentos de concepção (projetos, possíveis artigos, trabalhos de conclusão de curso), mas também para relatos de organização de arquivos, planos de aulas, críticas de produtos visuais, a fim de abranger um circuito mais amplo de reflexão sobre o assunto.

Sessão I

 

A fotografia como fonte histórica: Estudos da imagem técnica segundo Vilém Flusser.

Rogério Alexandre da Silva - Graduado em Licenciatura em História.

 

O presente trabalho, aborda os usos da fotografia como fonte histórica, assim como a importância de seu estudo crítico e analítico para a escrita da História. Para tratar dessa análise e apresentação, o texto versa sobre os estudos da imagem técnica, desenvolvido pelo filósofo checo, naturalizado brasileiro, em seu livro “Filosofia da caixa preta”.

 

A cidade em imagens: História e Memória de Palmeira dos Índios – AL.

Míriam de Lima Cabral - Pós-Graduação - Stricto Sensu em História Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

Os lugares de memória de Palmeira dos Índios dão voz a narrativa que se constitui na cidade. Cidade que fala, que guarda em seus bairros e ruas, histórias e memórias que se cristalizam nas construções antigas, nas ruínas, cicatrizes que moldam a cidade. O objetivo deste artigo é contar a história da cidade através do uso de imagens de ruas e lugares. Serão analisadas fotografias da cidade encontradas no acervo do GPHIAL em diferentes épocas e fotos atuais. Teoricamente estamos amparados em Burke (2017), Assmann (2011), Nora (1993) e outros.

 

O reflexo das deusas: discussões sobre a beleza feminina a partir das imagens dos concursos de beleza em Parnaíba nas décadas de 1930-1950.

Mariane de Sales Silva - Mestranda em História – Universidade Federal do Maranhã (UFMA)

Ana Beatriz Araújo de Freitas - Graduanda em História – Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

 

Este trabalho tem como objetivo analisar os discursos acerca da beleza feminina através das fotografias de dois concursos distintos: O Miss Comerciária com as fotografias das eleitas nas décadas de 1930 e 1940 e o Miss Piauí, na década de 1950, que teve como ganhadora a parnaibana Chloris Fontenele. Sabendo que a concepção de beleza muda de acordo com o lugar social de quem fala e para quem fala, objetiva-se investigar como esses discursos influenciam o corpo, a beleza e o comportamento das mulheres, que tinham como principais referências esses concursos cujo objetivo era moldar padrões.

 

O racismo lobatiano: No faro da “feminidade negra” de Tia Anastácia.

Marcus Vinícius da Silva Santos - Graduando em História pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

A comunicação discute a “feminidade negra” como representação racista nas histórias infantis “Reinações de Narizinho” (1931) e “Histórias de Tia Nastácia” (1937), de Monteiro Lobato. Para a análise/interpretação das imagens relativas à mulher negra (Tia Nastácia) no contexto pós-abolição, adota-se o método indiciário. O debate teórico discute a relação entre história e literatura a partir dos temas: etnia e gênero. Objetiva-se refletir sobre a leitura crítica da literatura infantil brasileira por parte do/a historiador/a.

 

As representações dos Ítalo-americanos em Martin Scorsese: Uma análise dos filmes “Quem Bate à Minha Porta” (1967) e “Caminhos Perigosos” (1973).

Saul Sena Avelino - Graduado em História pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

A proposta do trabalho é estudar as representações nas obas “Quem bate à minha porta” e “Caminhos Perigosos”, nas quais o cineasta Martin Scorsese problematiza o que é ser "ítalo-americano" nos EUA. Junto à análise fílmica, também pretendemos analisar o contexto de produção através do momento que vivia Hollywood, e de recepção das obras, se atentando ao momento do país e aos conflitos de discursos que ecoavam sobre como os ítalos-americanos deveriam ser representados. A partir disso, o trabalho tem como principal pergunta: como e por que se configuravam as disputas por essas representações?

O passado representado pelo cinema: discussões sobre o impacto do nacionalismo na sociedade japonesa através do filme ‘Gen Pés Descalços’ (1983) de Mori Masaki.

Dionson Ferreira Canova Júnior - Graduação (UPE).

O presente trabalho tem como objetivo discutir e refletir sobre o nacionalismo japonês durante a Segunda Guerra Mundial através do cinema. A proposta do estudo visa analisar a cinematografia nipônica e sua produção de memórias acerca de um evento histórico, além de debater sobre sua utilidade nas representações do passado no tempo presente para entender seu caráter de formação de cultura histórica visando através das imagens e narrativas tornar o passado visível e compreensível no desenvolvimento do conhecimento histórico.

Sessão II

 

Questões de Gênero nas Artes Visuais: uma Perspectiva Histórica.

Rosane Bezerra Soares - Doutora em Artes Visuais, Mestre em História da Arte, graduada em Comunicação Visual, professora adjunta do curso de Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O trabalho apresenta reflexões a respeito da tradição da modernidade que enfatizou a estética ocidental considerada universal e reprodutora de desigualdades. O estudo envolve o feminismo e procura relacionar a cultura das minorias, a compreensão da diversidade e obras de arte contemporânea. Relacionando arte, política e história, destacamos estudos de autores como Jacques Rancière, Rachel Mason e Peter Mc Laren. Na análise do contexto histórico envolvendo arte e feminismo, privilegiamos autores como Linda Nochlin, Griselda Pollock, Rozsika Parker, John Berger, entre outros.

Catálogo de exposição como lugar de memória das artes.

Anderson de Sousa Silva - Doutorando em História – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Este trabalho pretende discutir sobre o uso dos catálogos de exposições como fontes de pesquisa e como lugares de memória das artes. Os catálogos são fontes imprescindíveis quando se trabalha com exposições de artes. A partir deles, é possível coletarmos informações sobre a dinâmica das exposições e dos espaços expositivos. Tomamos de empréstimo as ideias do sociólogo da arte Delano Pessoa, onde este evidencia o estudo dos catálogos a partir da proposta analítica de Chico Homem de Melo: pensar o catálogo como registro, exposição portátil e lugar de memória institucional e das artes.

Os Limites e Possibilidades do Uso de Pinturas de Frans Post no Ensino e Pesquisa Geográfica.

José Luciano da Silva Neves - Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Elias José da Silva.

Este trabalho vem contribuir para o debate sobre o uso da representação pictórica de Frans Post na pesquisa e no ensino de Geografia. Juntamente com outros integrantes da comitiva de Mauricio de Nassau, durante o período de domínio holandês no Nordeste Brasileiro, o pintor Frans Post teve, em sete anos (1937-1644), a missão de retratar, em telas a óleo e desenhos, imagens dos territórios que foram conquistados pela Holanda no Brasil, entre os anos de 1624 e 1954. Tem-se percebido que os avanços tecnológicos que deram origem à fotografia e décadas posteriores à imagem de satélite desprestigiaram, gradativamente, a pintura de paisagens, a qual era uma ferramenta comum de representação desde os primórdios da Geografia, resultando no desuso desse recurso. Diante dessa constatação, o presente trabalho, originado de uma monografia de conclusão de curso de especialização Latu Sensu, também se converte em um documento de cunho didático pedagógico que aborda o potencial das pinturas de paisagens, em particular as realizadas por Frans Post, embasando-se teoricamente, as possibilidades de utilização da produção postiana, dirigidos à Geografia, a pesquisa se desenvolveu como resgate bibliográfico e levantamento de produção acadêmica relacionados às Artes, à História e ao Ensino da Geografia. Enquanto recurso didático-pedagógico, esse trabalho pode auxiliar o educador a desenvolver, nas suas práticas pedagógicas, os conceitos chaves da Geografia. Palavras chave: Ensino de Geografia - História – Arte – Interdisciplinaridade - Frans Post Geografia Humana e Regional.

 

O Poder da Propaganda: Uma Análise de um Cartaz Soviético.

Matheus da Silva Cunha - Bacharelando em História pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

As imagens constituem uma importante fonte histórica. Através delas somos capazes de compreender parte do contexto ao qual ela está inserida. Diante disso, nos cabe uma breve reflexão: desde longínquos tempos o ser humano utiliza imagens para representar, de forma fantasiosa ou não, a sua realidade. Do Paleolítico ao século XXI, elas constituem uma importante representação cultural de uma sociedade. No tocante à atuação do historiador cultural, Peter Burke é certeiro ao afirmar que o campo daquele é o da “preocupação com o simbólico e suas interpretações”. Neste sentido, a medida em que os povos foram se tornando mais complexos, os símbolos foram ganhando novas funções, por assim dizer, adquirindo uma importante finalidade dentro da propaganda política, que se insere na construção histórica e sociocultural dos povos, tendo em vista que é usada para legitimar governos. E é dentro desse aspecto que o presente trabalho resolve focar, ao buscar analisar um cartaz soviético de 1936, que possuía fins claramente propagandísticos, buscando fortalecer a figura de Josef Stalin, engrandecer o sentimento soviético e o promover um culto à personalidade do “grande irmão”.

 

A revista Veja nas eleições de 2002: construção e desconstrução da política pelos meios de comunicação.

José Augusto Ferreira da Silva – Graduando de História – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Uma das motivações para a realização deste trabalho é tentar compreender o esforço da revista Veja, nas eleições de 2002, para construir e reforçar o discurso capitalista em um País injusto, violento e, naquele momento, assolado pela pobreza. A proposta de inclusão social e fortalecimento da economia nacional pelo modelo social-democrata apresentado por Lula (PT) pareceu não agradar os donos e sócios do periódico que viam e ainda vêem no neoliberalismo e na globalização um vantajoso caminho para continuar aumentando seus lucros. Nas palavras de Marilena Chaui “podemos focalizar a questão do exercício do poder pelos meios de comunicação de massa sob dois aspectos principais, quais sejam, o econômico e o ideológico” (CHAUI, 2006, p. 72). Assim, acaba-se mesclando os interesses políticos e empresariais, ou seja, tornando esse tipo de meio de comunicação responsável por colocar no mercado um produto específico: “a mercadoria política” modeladora da opinião pública.

 

25 anos do Memorial Pontes de Miranda. O acervo acerca da classe trabalhadora alagoana.

José Airton Abagaro de Oliveira Neto - Graduando - História Bacharelado – Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

 

Em 1° de junho de 2019, o memorial Pontes de Miranda completou 25 anos como sendo o espaço responsável pela salvaguarda da memória institucional do Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas e consequentemente da classe trabalhadora. Esse trabalho tem como objetivo apresentar as mudanças e novidades em relação ao acervo documental de processos trabalhistas do Pontes de Miranda. Isto posto, pretendo falar sobre os frutos e resultados decorrentes da minha experiência de trabalho de dois anos como estagiário do memorial, tanto na construção do acervo como no desenvolvimento de pesquisas através de análises históricas dos processos trabalhistas. O conjunto de documentos preservados pelo memorial Pontes de Miranda proporciona ao pesquisador diversas linhas de raciocínio nas mais abrangentes áreas do conhecimento, devido a sua riqueza de informações e por ser uma fonte primária que carrega em seus autos documentos juntados pelas partes, tais como informações pessoais, testemunhas, relatos, petição inicial e contestação; atas, mandados, certidões, ofícios, editais, etc.

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